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Ensino por Competências na ECEME

Publicado: Sexta, 21 de Agosto de 2020, 12h11 | Última atualização em Sexta, 21 de Agosto de 2020, 13h52 | Acessos: 661

Preparando os Assessores de Alto Nível e de Estado-Maior para os Desafios da Era do Conhecimento

A modificação da metodologia do Ensino por Objetivos para a metodologia do Ensino por Competências no Sistema de Educação e Cultura do Exército, constituiu-se na resposta do DECEx ao Processo de Transformação da Força Terrestre.

Tal resposta se deu após estudos e simpósios com integrantes do Sistema, que concluíram que a nova metodologia, além de mais atualizada, possuía ferramentas e princípios que teriam melhor rendimento frente aos desafios da Era do Conhecimento.

Em 2012, após determinação dos escalões superiores, a ECEME iniciou estudos e aprofundamentos para a realização da modificação metodológica, que deveria ser concluída até o ano de 2014, conforme prazo estabelecido pelo Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx).

A tarefa se mostrou complexa e de muita responsabilidade em face da tradição, da cultura escolar e do elevado grau de eficiência desempenhado pela Escola na condução de seus cursos, sendo reconhecida como estabelecimento de mais alto nível do Exército Brasileiro. Somaram-se a estes fatores, a inexistência de documentação normativa mais específica que pudesse orientar a modificação metodológica, como também, a dificuldade de reunir massa crítica de instrutores que pudessem traduzir as condicionantes do novo modelo aos objetivos da Escola.

A ECEME verificou que o prazo estabelecido até o ano de 2014, poderia trazer óbices ao adequado processo de implantação, haja vista a especificidades dos diversos cursos da Escola, sendo encaminhado estudo fundamentado que propunha prazo mais dilatado para implantação do modelo na Escola.

Foi proposto um ciclo trienal de implantação, sendo os dois primeiros compostos, por ações de capacitação, estudos, formatação curricular, planejamento das atividades de instrução e temas de estudo; e um terceiro para a sua execução, propondo-se o ano de 2018 como o ano de encerramento da implantação de todos os cursos da Escola.

Após aprovação da solicitação, no ano de 2014, a Escola reuniu equipe da Divisão de Ensino para a realização de estudos e deliberações que conceberam normativos internos com metodologia própria, sendo, ainda, estabelecidos três eixos estruturantes norteadores das modificações a serem implantadas, a saber: a modificação curricular; a modificação na maneira de ensinar; e a modificação na maneira de avaliar. Nesse mesmo ano, foi iniciada a modificação curricular pelo Curso de Política Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx) e pelo Curso Internacional de Estudos Estratégicos (CIEE).

Em 2015, o Conselho de Ensino apresentou ao comando da Escola, as dificuldades vividas nas relações internas, que poderiam trazer consequências negativas para o processo de modificação metodológica. Como consequência, foi determinadaa condução do Projeto de Reestruturação da ECEME que redundou, entre outras alterações, em uma estrutura de ensino mais centralizada, vindo a favorecer as ações de coordenação, orientação e controle das atividades de implantação do Ensino por Competências no Estabelecimento de Ensino.

Verificou-se, também, que não seria conveniente utilizar-se dois processos metodológicos em cursos diferentes, o que ocasionou a aceleração do processo de reformulação curricular do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército (CCEM), do Curso de Comando e Estado-Maior para Oficiais Médicos (CCEM-ONA) e do Curso de Direção para Engenheiros Militares (CDEM), cursos previstos para execução no ano seguinte.

Em 2016, a Escola reformulou seu último curso, o Curso de Comando e Estado-Maior para Oficiais Médicos (CCEM-MED), encerrando-se as atividades do primeiro eixo estruturante. Esse ano marcou, também, o início das ações do segundo eixo estruturante, a maneira de ensinar, empreitada que se mostrou mais complexa, já que as documentações normativas externas não eram suficientes para produzir os efeitos desejados, qual seja, a modificação do paradigma tradicional das instruções ministradas no antigo modelo na Escola.

Fruto dessa necessidade, as atividades de apoio pedagógico passaram a reunir estudos com a participação de instrutores para a confecção de norma interna específica de montagem de instruções e de avaliações, levando-se em consideração as características dos cursos da Escola.

Em 2017, foram realizadas as primeiras revisões curriculares, sendo revisados o CPEAEx, CCEM, CCEM-ONA e CDEM, sem, contudo, produzir-se grandes alterações curriculares ou metodológicas.

Em 2018, ainda com dificuldades de implantação de modificações na maneira de ensinar, intensificaram-se as ações de apoio pedagógico junto aos instrutores das diversas seções de ensino, nas atividades de montagem e execução das instruções. Esse contato aproximado possibilitou a produção da Norma Geral de Ensino (NGE), que aprofundou as explicações de diversos conceitos de interesse na montagem e na execução das instruções, utilizando-se de exemplos práticos em casos concretos no Ensino da ECEME. A Escola passava a possuir uma ferramenta normativa mais adequada aos seus propósitos.

O ano de 2019 foi marcado por grande evolução na maneira de ensinar, citando-se como fatores de sucesso o Estágio de Atualização Pedagógica (ESTAP) realizado no modelo do Ensino por Competências, que além de produzir mudança da mentalidade do instrutor, possibilitou que as ações de apoio pedagógico produzissem melhor rendimento pelo correto entendimento do que se pretendia, surgindo vários exemplos de boas práticas nas próprias seções de ensino. Esse ano pode ser caracterizado como ano em que a implantação da maneira de ensinar foi consolidada na ECEME.

Tal sinergia no entendimento das condicionantes do novo modelo possibilitou, ainda, uma revisão curricular mais abrangente, realizando-se adequações curriculares e metodológicas no CCEM, no CCEM-ONA, no CCEM-MED e no CDEM que possibilitarão, a partir de 2021, ano de execução dos novos currículos, grande velocidade na consolidação do modelo implantado.

Observou-se que a Escola necessitava de maior flexibilização para a utilização de algumas ferramentas conceituais, que mesmo modificadas ou cortadas nos modelos de normas superiores mais recentes, eram julgadas como imprescindíveis à manutenção da boa continuidade da implantação da metodologia, pois estavam inseridas na cultura escolar. Foi autorizado à ECEME utilizar-se das referidas ferramentas nos documentos constantes dos currículos dos cursos.

No tocante ao terceiro eixo estruturante, a maneira de avaliar, ainda há a necessidade de melhor adequação, situação que se pretende desenvolver mais efetivamente no ano de 2020, esperando-se marcar, após o nono ano de desenvolvimento de ações em proveito do Ensino por Competências na Escola, a sua completa implantação.

Assim, quando se observa as diferenças em relação ao antigo modelo na ECEME, pode-se concluir que houve grandes alterações nos currículos, instruções, atividades de ensino e nas próprias avaliações.

Os currículos foram reestruturados, estando totalmente alinhados ao perfil profissiográfico, que foi readequado por peritos da ECEME, no sentido de atualização e orientação das atividades profissionais.

Os currículos passaram a ser formados: pelo próprio Perfil Profissiográfico atualizado; pelo Plano de Integração de Disciplinas (PLANID) que contém todas as disciplinas e atividades que levam ao cumprimento de competências similares em módulos de ensino; os Planos de Disciplina (PLADIS), com finalidade semelhante ao antigo modelo, porém reestruturados em direcionamento, sequência e modelos, contendo várias ferramentas que operacionalizam as diferenças na maneira de ensinar; e o Quadro Geral de Atividades Escolares (QGAEs), documento centralizador de todas atividades do curso por carga horária que permite a visão geral do esforço do curso.

A maneira de ensinar passou a primar pela psicologia do Ensino, levando-se em consideração a maneira como o cérebro retém os conhecimentos dos diversos tipos de conteúdos, podendo estes serem definidos em conteúdos de memorização (factuais), de reflexão e integração (conceituais), conteúdos de práticas (procedimentais) e conteúdos que definem a maneira característica do profissional agir (atitudinal).

A montagem das instruções passou a ganhar maior relevância, onde a equipe deve realizar intensas discussões doutrinárias e metodológicas, para que se trace o itinerário formativo mais adequado ao cumprimento do padrão de desempenho, sendo este expresso por critérios e condicionantes, que orientarão toda a estratégia didática a ser estabelecida. A discussão entre os peritos possibilitará a efetividade da utilização de ferramentas e técnicas de ensino apropriadas ao desenvolvimento que se pretende atingir.

As instruções passaram a ser divididas em fases de esforço cognitivo e atitudinal, desenvolvendo-se, inicialmente, instruções dedicadas aos fundamentos, onde se define o escopo do estudo e impõe-se a preparação do aluno; em um segundo momento as instruções dedicadas à retenção dos fundamentos, onde por meio de instruções dinâmicas e reflexivas, já direcionadas aos casos concretos profissionais, com ampla participação dos alunos, procura-se esgotar o entendimento da aplicação conceitual; e por último as instruções dedicadas à aplicação dos fundamentos, onde se busca a flexibilização do raciocínio, por meio de questionamentos inéditos, que exigem alto grau de integração e criatividade, preparando-se os alunos para os desafios do futuro.

As avaliações não são mais consideradas um fim, sendo consideradas um meio, onde todo o processo vivenciado ao longo das atividades de ensino é continuado, não se traduzindo em repetição de soluções preconcebidas, mas sim, em uma oportunidade de verificação da capacidade do aluno em produzir soluções novas, criativas, sem, contudo desprezar os ensinamento doutrinários.

Observa-se, assim, que a metodologia do Ensino por Competências implantada na ECEME trouxe profundas modificações em todas as fases de ensino em relação ao modelo anterior, evoluindo a cada ano, em face do entendimento da aplicabilidade de suas premissas conceituais nos diversos cursos.

A evolução do modelo na ECEME tem permitido atestar a melhoria na capacidade do aluno em interagir com a gama de condicionantes que envolvem os trabalhos do assessor de alto nível e do assessor de estado-maior, verificando-se, particularmente, o aumento na capacidade de retenção de conceitos, articulação, integração e criatividade, já existindo consenso na equipe de instrutores quanto aos ganhos que a modificação metodológica trouxe aos processos de ensino na Escola, permitindo-se a manutenção da continuidade de excelência na capacitação dos referidos quadros, cada vez mais aptos aos complexos desafios profissionais da Era do Conhecimento.

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