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Castello Branco

Publicado: Quarta, 03 de Fevereiro de 2016, 14h29 | Última atualização em Terça, 23 de Fevereiro de 2016, 13h49 | Acessos: 4957


"Dificilmente haverá personalidade mais rica e mais completa do que a do presidente Castello Branco, que aliava a energia do chefe à visão do estadista. Era dos que conservavam autoridade inata, embora havendo bebido o leite da ternura humana."

Luís Viana Filho


"Os atuais cientistas da Informação, na cruzada da guerra contra a incompetência mundial vigente, recomendam, dentre outros procedimentos, o trabalho em equipe. Cerca de meio século atrás, o Cel Castello Branco, dedicou-se profundamente ao método de trabalho do comando, o qual, no fundo, é o trabalho em equipe em todos os escalões militares, com vistas a se chegar à melhor decisão, racionalizando-se a hierarquia.
Por outras palavras, muito antes que o mundo começasse a sentir a necessidade de liquidar com sua terrível incompetência, já um Coronel do Exército fazia o que lhe era possível para acabar ou neutralizar aquela ameaça clara em sua profissão. Genial... sem nenhum favor, pois está por outros traços de seu inesquecível perfil."
Francisco Ruas Santos, Centro de Informações Culturais


VIDA NA CASERNA

Há nomes que simbolizam uma indefinível mescla de simplicidade e grandeza. Há vidas que se estendem no tempo como símbolos fixados em nossas memórias. Há homens cujas idéias e ações transformam-se na própria história. É o caso do cearense Humberto de Alencar Castello Branco.

Nascido em Mecejana, em 20 de setembro de 1900, filho de ilustre militar, realizou seus estudos secundários no Colégio Militar de Porto Alegre, de onde seguiu para a Escola Militar do Realengo.

Declarado aspirante-a-oficial de Infantaria em 1921, deixou o Rio de Janeiro e foi para Belo Horizonte, onde serviu no 12º Regimento de Infantaria. Em 1924, ainda como Tenente, fez o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais e, ao retornar para o 12 RI, recebeu a missão de comandar um destacamento da unidade e integrar as forças legalistas que viriam a enfrentar e vencer revoltas internas eclodidas em São Paulo, no ano de 1925.

Como Capitão, o valor intelectual de Castello Branco sobressaiu-se e em 1931, nesta Escola, concluiu o Curso de Estado-Maior do Exército em 1º lugar. Por méritos próprios, foi matriculado na Escola Superior de Guerra francesa e ao regressar ao Brasil, preocupado com a formação dos quadros do Exército, desempenhou, com louvor, a função de instrutor da Escola Militar do Realengo. Cursou ainda a Escola de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos.

Já no posto de Tenente-Coronel, integrou o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, exercendo a função de chefe da Seção de Operações do Estado-Maior da FEB, no período de 1944 a 1945. Finda a 2ª Guerra Mundial e promovido por merecimento a Coronel em 1945, Castello Branco retornou ao Brasil com o firme propósito de transmitir suas experiências profissionais aos oficiais do Exército e, ao assumir o cargo de diretor de Ensino da ECEME, fez desta um verdadeiro centro de pesquisas doutrinárias.

Castello Branco dedicou-se integralmente à vida militar, desempenhando, com força de caráter, liderança incontestável e talento intelectual, várias funções de importância no Exército, tais como: Comando da 8ª e 10ª Regiões Militares, Comando Militar da Amazônia e Chefia do Estado-Maior do Exército. Neste último cargo, empreendeu todos os esforços contrários à implementação de um regime totalitário no país, sendo um dos líderes da Revolução Democrática de 31 de março de 1964.


O ESTADISTA

Eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional, em 11 de abril de 1964, três dias depois foi promovido ao posto de Marechal, passando para a reserva.

O estadista emergiu da figura do chefe militar alçado à Presidência da República.

Em primeiro lugar, concentrou-se na tarefa de restabelecer a ordem no Brasil, dando ao País as condições de estabilidade necessárias à retomada do desenvolvimento.

Em seguida, dedicou-se a resolver sérios impasses que a Nação experimentava: a situação econômica, o problema agrário, a questão habitacional, os serviços de infra-estrutura, a política internacional, a reforma e integração das Forças Armadas, entre outros.

No referente às instituições militares, empenhou-se para implementar mudanças que considerava vitais para a operacionalidade das Forças.

A morte o surpreendeu em 1967, em um acidente aéreo ocorrido no Ceará.

O Brasil ressentiu-se do acontecimento. Ficou em todos o vácuo resultante de sua ausência, mas suas qualidades fizeram-no admirado e o projetaram como um desses grandes homens de que a humanidade necessita para crescer, evoluir e ser mais justa.


IMPORTÂNCIA PARA A ECEME

O nome do Marechal Humberto de Alencar Castello Branco está eternamente gravado na memória da Escola de Comando e Estado-Maior, por sua extraordinária contribuição à reformulação da doutrina militar vigente quando desempenhou as funções de Diretor de Ensino (1946-1949) e de Comandante (1954-1955).

O Marechal Castello Branco sistematizou, principalmente entre 1946 e 1947, o método do raciocínio do estudo dos fatores de decisão, preconizados pela Missão Militar Francesa, com uma estrutura de trabalho no âmbito do comando, disciplinando melhor as atividades do Comandante e dos seus Oficiais de Estado-Maior.

Quando retornou à Escola na função de Comandante, o Marechal aperfeiçoou o seu "Trabalho de Comando" de 1948, procurando amoldá-lo melhor às características dos chefes e oficiais de Estado-Maior brasileiros.

Conferências como " A Doutrina de Guerra e a Guerra Moderna" e " Problemas de Segurança", realizadas na ECEME, são marcos na evolução do pensamento doutrinário desta Escola.

"O valor dos estudos na Escola de Estado-Maior do Exército não está no muito que o oficial faz como aluno mas, sim, no muito que vai realizar depois. O seu diploma só tem valia se valimento houver no desempenho que deve o oficial dar às funções que este documento lhe confere."
Mar Castello Branco


SEUS PENSAMENTOS

"Revolução pode orgulhar-se da obra que realizou para reerguer o país. Como é da condição humana nossas realizações são menores que os nossos desejos, mas o nosso esforço não ficou abaixo do nosso dever."


"Vêde bem que esta casa (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) prefere mais a visão concreta da batalha do que as sentenças abstratas. Todos nós, alunos e instrutores, devemos ter bem presente que uma manobra planejada não tem nenhum valor próprio e o único valor que se lhe pode atribuir é o relativo por se relacionar com uma execução. Concepção e execução, no domínio militar, se são independentes para definir responsabilidades, são, no entanto, inseparáveis no corpo de uma manobra. Trabalhemos, então, com objetividade, buscando sempre completar o estudo do comando na guerra com a compreensão aprofundada da conduta do elemento que faz a guerra - a tropa."
(Conferência de abertura do ano letivo de 1946 na ECEME)


"A ação, para o Comando, consiste em distinguir entre o oportuno e o inoportuno, entre o que é imediato e o mediato. É não adiar, é fazer, impulsionar, ordenar. É não ficar preso à discussão de idéias, em que não se atinge nunca o fim, ora vagando pelo pessimismo, ora pelo otimismo."
(Reflexões sobre o trabalho do Comando)


"A ausência de idéias pode não ser a falência do Chefe, mas pode levar ao desastre os seus comandados."
(Reflexões sobre o trabalho do Comando)


"O Chefe, para ser o Chefe por tudo responsável, precisa ter idéias para impulsionar o trabalho, para julgar e solicitar idéias e para ter a clara visão do resultado das idéias nas operações projetadas."
(Reflexões sobre o trabalho do Comando)


"A arte da guerra é muito dura na sua prática. Basta dizer que é preciso antes de tudo discernir o fato e depois analisá-lo, criticá-lo, mas nunca deixar de respeitá-lo no seu caráter de fato."
(Reflexões sobre o trabalho do Comando)


"Há uma diferença fundamental entre o método racional de chefia e o que existe em virtude da fraqueza ou da vaidade do Chefe. Há Chefes que preferem o trabalho clandestino do auxiliar e, então, têm a ilusão de que outros pensam que o trabalho é deles. O método racional, ao contrário, é de os auxiliares não trabalharem pelo Chefe, e, sim, de trabalharem para o Chefe e sobretudo, para o Chefe."
(Reflexões sobre o trabalho do Comando)


"A palavra RESPONSABILIDADE deve retinir no espírito dos que aqui (na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) ingressam para encetar a tarefa de aprendizes de Estado-Maior. Ela persiste aqui nos trabalho escolares. Ela será o fanal na obra gigantesca dos Estados-Maiores e dos chefes de todos os escalões, na solução dos problemas das Forças Armadas Nacionais."
(Reflexões sobre o exercício do Comando)


"O combate, tendo por base o homem, não pode ser esquemático. Na arte da guerra, um processo não tem o valor de uma regra geral, ou de um princípio, nem uma verdade relativa toma a feição de uma verdade absoluta. O dogmatismo militar é um recurso desastroso que desconhece o pensamento e a vontade, as forças que concebem e decidem. Onde ele impera, não tardará o advento irremediável da decadência da arte da guerra."
(Conferência de abertura do ano letivo de 1946 na ECEME)


"A paz depende da organização dos Estados. Mas, todo país, além de pugnar pela paz, tem que enquadrar na Segurança Nacional a possibilidade de uma guerra. Tanto mais que qualquer conflito, em qualquer continente, é, hoje, um problema de segurança Nacional para um país que nele não esteja envolvido."
(Conferência Aspectos da Guerra Moderna)


"A instrução dá ao homem o seu valor técnico e tático. É a base da disciplina e do moral. A disciplina é a mola que articula o homem e os homens nas fileiras e na guerra. É a adaptação da vontade individual ao interesse coletivo. Exige confiança e respeito mútuos. O moral é a força que mantém a dignidade humana no soldado. Vem de dentro dele mesmo, influenciado até por suas qualidades físicas. Apóia-se também no moral de seus camaradas. Com ele o combatente enfrenta o perigo e a adversidade."
(Conferência pronunciada na Associação Comercial de Campos)


"A vida militar, para ser bem vivida, deve ter duas características: ação, que lhe dá ânimo e eficiência; e convivência, que lhe traz amizade, afeição, incentivo e outras coisas boas do espírito. Desta ação e convivência, surge o espírito de Arma, de Corpo e a coesão."
(Reflexões sobre alguns deveres dos militares e a vida militar)


"O valor dos estudos na Escola de Estado-Maior do Exército não está no muito que o oficial faz como aluno e, sim, no muito que vai realizar depois. O seu diploma só tem valia se valimento houver no desempenho que deve o oficial dar as funções que este documento lhe confere."
(Discurso quando Comandante da ECEME na solenidade de encerramento de curso de 1954)


"O Estado-Maior do Exército é, assim, necessariamente, o fiador da estrutura e da doutrina das Forças Terrestres. Pensante e atuante, tem que dar substância à instituição e saber que uma e outra evoluem, particularmente, no que se refere à eventualidade dos tipos e formas dos conflitos admitidos, ao progresso da técnica e às mutações das próprias instituições políticas nacionais. É, então, imperativo que ele viva, com pensamento e atuação, a sua época, identificado com o espírito do tempo, e não só absorvido pelo dia a dia, mas de modo a não estudar na fantasia de qualquer guerra, não se atrasar quanto ao aparelhamento bélico e não se desligar da evolução política nacional."
(Ao assumir a chefia do EME,1963)


"Venham a mim os brasileiros e eu irei com eles para, com o auxílio de Deus e com a serena confiança, buscar os melhores dias nos horizontes do futuro."
(Perante o Congresso Nacional ao tomar posse no cargo de Presidente da República, 1964)


"Não ser cerimonioso com as idéias, nem ter receio das novas idéias, a fim de incorporá-las ou combatê-las, é fator para estar integrado ao espírito de seu tempo e para sempre evoluir. Olhando para o alto e em redor, os pés no chão caminham na boa cadência da marcha para a frente."
(Colégio Militar de Porto Alegre, 1964)


"Por nossa mãos e por aquelas que nos tocam do futuro, haveremos de construir uma democracia de oportunidades, continuamente expressa num desenvolvimento com estabilidade. Uma democracia verdadeira a serviço de um Brasil autêntico, fiel a suas origens e a seu destino, seguro de suas tradições e de seus compromissos."
(Congresso Nacional, sessão solene comemorativa do 1º Aniversário da Revolução, 1965)


"Democracia supõe liberdade, mas não exclui responsabilidade nem importa em licença para contrariar a própria vocação política da Nação."
(Palácio do Planalto ao editar o Ato Institucional nº. 2, 1965)


"A política é a arte de conduzir os negócios do Estado-Nação, no sentido do progresso nacional, nos campos interno e externo. Cabe-lhe, antes de tudo, a tarefa da interpretação dos objetivos nacionais permanentes e atuais. Para isso empreende constantemente uma revisão nessa apreciação e se aprofunda em todos os setores nacionais e na conjuntura internacional."
(Aos novos diplomados da ESG, 1965)


"O povo compreenderá, entretanto, que não se constrói um grande país esquecendo os objetivos permanentes da Nação e cuidando apenas dos objetivos ocasionais dos demagogos. Não tive o aplauso destes, porque não procurei satisfazê-los. Dou-me por feliz, entretanto, de Ter preferido a consciência dos que não aplaudem por interesse ao interesse dos que aplaudem sem consciência."
(Visita ao Instituto Agronômico de Campinas, 1966)


"O profissional de qualquer uma das três Forças, ou evolui com os avanços da sua própria época, ou se atrasa por circunstâncias várias, ou fica a margem, bloqueado pelas injunções de defender uma posição personalista, enfunado com afetação de dono incontestável de idéias, que julga serem as únicas válidas para a sua Corporação. São piores do que os tardios, pois, para construir, não são comunicativos no plano do pensamento, muito menos no do debate, e praticamente comportam-se como se não tivessem idéias. E permanecem ilhados no isolacionismo profissional, dissociados da evolução e, absolutamente, inadequados á realidade militar brasileira."
(Aos oficiais do 12º Regimento de Infantaria, 1966)


"Toda universidade, terá de se construir em torno de uma biblioteca, como aquelas cidades medievais construídas ao lado das muralhas das fortalezas. Que são as bibliotecas se não as fortificações das universidades?"
(Universidade Federal de Santa Maria, 1966)


"O dever de todos e de cada qual, dever tanto maior quanto mais a alta a hierarquia, não está apenas em proclamar um sofrimento que todos conhecem, mas apontar remédios, cooperar com entidades públicas ou privadas, a fim de podermos vencer, no mais breve prazo possível, os males decorrentes do subdesenvolvimento."
(Universidade Federal de Pernambuco, 1966)


"A Revolução de março não foi feita para estimular a luta de classes nem muito menos para preservar privilégios de classes. Seus objetivos essenciais foram a modernização de nossa sociedade pela reforma de estruturas injustas ou arcaicas, pelo combate simultâneo à inflação, que nos rouba o presente, e à estagnação, que nos rouba o futuro, pela restauração da tranqüilidade política e social indispensável à realização do desenvolvimento e ao fortalecimento do Poder nacional."
(Assembléia Legislativa de Minas Gerais, 1966)


"Não vim para destruir e sim para melhorar."
(Assembléia Legislativa de Minas Gerais, 1966)


"A tarefa de governar, numa fase de reconstrução econômica e moral, consiste muitas vezes em destruir tabus e banir mitos a que a irresponsabilidade dos demagogos emprestou vigência e popularidade."
(Inauguração da Companhia Siderúrgica Paulista, 1966)


"A Revolução pode orgulhar-se da obra que realizou para reerguer o país. Como é da condição humana, nossas realizações são menores que os nossos desejos, mas o nosso esforço não ficou abaixo do nosso dever."
(Inauguração da Companhia Siderúrgica Paulista, 1966)


"O bem-estar geral da Nação é visado pela convergência de todas as idéias e dos esforços de todas as políticas de consecução. O político, o econômico-financeiro, o psico-social e o militar são meios que se associam para a conquista daquele dominante objetivo nacional."
(Conselho Nacional de Economia, como paraninfo da turma que concluiu o Curso de Análise Econômica, 1966)

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